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2 anos morando em Toronto

Hoje completam 2 anos que nos mudamos para Toronto e é muito doido como pra mim parece que faz MUITO mais tempo que estamos aqui.
Talvez eu tenha essa impressão de estar morando há mais tempo, pois tudo ainda é muito novo e diariamente sou exposta a muitas informações novas, não somente no idioma, mas sobre a cultura, sobre marcas no supermercado ou nome de lojas, sobre as personalidades famosas daqui, sobre os lugares que visitamos e no trajeto passamos por ruas e bairros que desconhecíamos, sobre os restaurantes cuja a combinação dos pratos e sabores são frequentemente uma novidade para nós, entre tantas outras coisas.
Tudo é muito intenso e a impressão é que vivemos em um mundo desconhecido (e de fato é), que todo dia se revela um pouco mais e quanto mais aprendemos, mais percebemos que ainda falta muito para aprender.

SOBRE O INGLÊS

Há um ano atrás eu já sentia que o meu inglês estava muito bom, pois eu já me comunicava com facilidade, mas quando eu olho hoje, percebo o quanto melhorou, especialmente o meu listening (que é onde eu mais tenho dificuldade). E essa evolução no meu inglês se deu porque nesse último ano eu decidi voltar com os estudos, pois o fato de morar aqui não faz com que eu aprenda inglês por metamorfose, sabe? rsrsrs…É preciso se dedicar aos estudos com cursos, além de buscar atividades que te ajudam a praticar o idioma, como assistir filmes/séries, ler livros, ouvir música, etc.
Quanto mais eu estudo, mais eu me sinto a vontade para me comunicar e quanto mais eu me comunico, mais eu percebo que me faltam ainda muitas palavras/expressões, as quais eu ainda não tinha precisado usar em inglês e em muitos casos não sei qual seria a tradução.
Por mais avançado que seja o meu inglês, a impressão é que eu ainda me comunico como uma criança que está aprendendo a falar e que ainda falta muito para ter um vocabulário mais rebuscado. (vide exemplo, me dei conta que não sei como fala “rebuscado” em inglês hahaha)

SOBRE A ADAPTAÇÃO

Os primeiros meses por aqui, foi de adaptação com a nova moradia, o novo bairro, a nova cidade, o novo emprego, os novos sabores, o novo clima…e com um turbilhão de coisas aconteciam ao mesmo tempo.

Ao fim desse primeiro ano, quando olhei pra trás e vi que tinhamos conseguido nos “ajeitar” eu achei que já estava adaptada a nova vida, como eu relatei no post de 1 ano morando em Toronto…mas não estava hahahaha

Após o primeiro ano e já instalados, eu percebi que uma outra adaptação começou a chamar minha atenção que é em relação a minha vida social.
Eu sou muito extrovertida, comunicativa e nunca tive dificuldade de fazer amigos por onde eu vou, com isso, minha vida social sempre foi extremamente ativa, primeiro porque minha família é grande e segundo porque eu sempre cultivei muitos amigos e por isso frequentemente eu tinha uma agenda lotada de compromissos, então eu saí de uma vida social 100% agitada no Brasil para uma vida social 5% agitada no Canadá hahahaha

As pessoas aqui prezam muito pela família e seu tempo livre é dedicado mais a ela do que aos amigos.
Os Canadense normalmente não buscam novas amizades, seus amigos são aqueles da época de escola e eles não sentem necessidade de construir novas amizades, pois os bons e poucos amigos que tem são o suficiente para suprir sua vida social.

É claro, que não existem só Canadenses por aqui aliás, Toronto é a cidade mais multicultural do Mundo e há pessoas de outros países que são muito mais abertas para novas amizades, mas a verdade, é que o que eu sinto falta mesmo, é daqueles amigos de anos que me conhecem só pelo olhar, aqueles que posso relaxar, falar besteira e às vezes até me irritar, pois eles me conhecem e qualquer comportamento meu fora do normal, eles vão saber relevar ou saber como me dar um toque, sabe?

Nós temos poucas amizades em Toronto e pra mim, é doido pensar que a nossa amizade mais longa aqui tem apenas 2 anos e como o tempo é um ingrediente importante para que a sintonia de uma amizade cresça, eu acabo tendo preguiça de cultivar novos amigos além dos que eu já tenho aqui, pois o que eu sinto falta é daquelas amizades antigas de 10, 20 anos que deixei no Brasil, as quais levaram tempo para serem construidas, mas como eu não tenho muita paciencia, pensar no tempo que levou para ter essas amizades me desmotiva e eu acabo desistindo de construir algo assim novamente.
No entanto, como isso é algo que eu sinto falta, uma das minhas metas para esse novo ano aqui, será estar aberta para conhecer e manter mais contato com as pessoas e consequentemente construir mais amizades.

SOBRE A CULTURA CANADENSE

Nesse quesito eu me sinto completamente adaptada. Eu amo a cultura Canadense, em como são gentis, em como pensam no coletivo, em como são abertos para aceitar e respeitar as diferenças, em como não são consumistas, em como valorizam o tempo e priorizam o que de fato é importante.
Inclusive, até a maneira objetiva (que alguns chamam de seca) que as pessoas tem por aqui eu aprendi a gostar e confesso que tem feito tanto sentido pra mim, que cada vez mais eu tenho sido como eles.
O respeito e a amorosidade como as pessoas se tratam aqui é inspirador e isso me emociona verdadeiramente, além de me fazer ter certeza que é aqui que quero ampliar a minhar família e educar meus filhos.

SOBRE A SAUDADE DA FAMÍLIA

Eu acho que esse item varia de pessoa para pessoa e tudo depende de como era a sua relação com a sua família no Brasil. Eu sou apegada demais e isso acaba tornando a saudade ainda maior e a distancia mais dolorida.
O curioso, é que depois que me mudei para cá eu acho que a nossa relação ficou até maior, pois eu “vejo” com mais frequencia a minha familia do que antes, já que nos falamos muito por video e diariamente nos falamos por mensagem. Isso ameniza um pouco da saudade e nos coloca mais próximos do nosso dia-a-dia, mas ainda assim, eu sinto falta do abraço e do acolhimento familiar.

Eu tenho buscado uma forma de trabalhar essa saudade que me causa tristeza do lado de cá e conversando com um amigo muito querido, ele me deu uma “fórmula” para tentar resolver essa questão, pois o que me causa esse certo sofrimento não é o amor que sinto pela minha família, já que o amor é o sentimento mais lindo e jamais pode estar atrelado com dor, então o que me causa sofrimento na verdade, é o apego com as pessoas que eu amo e/ou com as lembranças do passado.
Para curar esse apego, eu preciso observar quais sentimentos negativos ele esconde, no meu caso, eu já descobri que o meu apego esconde medo de  acontecer algo comigo ou perder alguém querido e eu estar longe. O meu apego também esconde culpa de não estar ao lado de pessoas que eu amo em momentos felizes e também nos momentos tristes, de ver a minha vó chorando toda vez que fala comigo por video, de ver minhas sobrinhas crescendo e eu perdendo tantos detalhes…entre outras coisas.

Desde então eu tenho observado esses sentimentos negativos que o apego esconde (como medo e culpa), pois ao retirar o apego, restará apenas o amor e como esse sentimento lindo não é causa de sofrimento, consequentemente não haverá dor ou tristeza por estar longe de quem eu amo.

SOBRE VALER A PENA

Eu não vou mentir, tem dias que eu sinto vontade de pegar o primeiro avião e voltar para o Brasil. Normalmente essa vontade vem quando a saudade aperta muito, quando a presença da família faria toda a diferença para resolver algo simples ou quando tivemos uma semana puxada e minhas melhores amigas saberiam exatamente o que fazer ou me dizer para melhorar.

Mas quando eu olho para tudo a nossa volta e vejo como a nossa vida mudou, como nos sentimos livres em tantos aspectos, como nossa maneira de ver o mundo mudou, como é lindo ver a maneira como as pessoas se tratam e tantas outras coisas, eu percebo que mesmo com toda a saudade, com todos os desafios e com todo o cansaço causado pelos aprendizados diários que exigem muito de nós, vale a pena continuar aqui, vivendo o nosso sonho e a qualidade de vida que viemos buscar.

Eu espero que vocês tenham gostado desse resumo sincero sobre o que eu senti, nesse segundo ano vivendo em Toronto.

Beijos e até o próximo post.

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mundodasil

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