[ Comportamento ]

Quanto você julga as pessoas?

Neste ano, eu fiz uma longa e profunda viagem de autoconhecimento que mudou completamente a minha vida e o mundo que me cerca. A maneira mais próxima que consigo descrever essa experiência, é a sensação de ter descoberto que eu passei a vida inteira dormindo e somente agora, depois desse “despertar“, vejo o mundo e a vida como realmente são.

O tema de comportamento, não costuma estar presente no blog, mas está muito presente nas minhas conversas entre amigos, onde há tanta troca de aprendizado e tanta descoberta, que eu decidi abordar isso aqui, com o intuito de encorajar mais pessoas a viajarem para dentro de si também.

Nesse post, eu quero falar com você sobre julgamento e para começarmos eu lhe pergunto: “Você julga muito as pessoas?”
Seja qual for a sua resposta eu te convido a ler esse post e refletir sobre o assunto.

Eu passei a minha vida acreditando que apenas um comportamento podia ser chamado de julgamento  e só depois descobri que haviam outros. Talvez por isso, há um tempo atrás, quando eu me fiz a pergunta acima, a minha resposta foi: “Imagina! Eu não julgo as pessoas”.

Através do autoconhecimento, eu descobri muita coisa sobre mim e algumas delas doeram saber, como por exemplo, ver que eu julgava as pessoas muito mais do que eu pensava. No entanto, assim como uma ferida quando dói e nós fazemos o tratamento adequado para curar, descobrir e admitir esses nossos comportamentos, pode doer, mas só assim poderemos “curar” nossos maus hábitos e evoluir.

E o que podemos considerar como julgamento? 
Eu diria que julgar é toda e qualquer ação que te faz tentar adivinhar o pensamento, motivações e atitudes de alguém ou descrevê-la/interpretá-la usando as suas percepções.
Vamos falar abaixo de alguns exemplos:

  • Criticar as atitudes alheias:

    Criticar as atitudes do outro, julgando o que é certo, errado e até o como deveria ser feito. (Esse era o único julgamento que eu imaginava existir)
    Inconscientemente à critica ao próximo é um tentativa de minimizar os nossos erros destacando o do outro.
    Na sociedade, aprendemos a classificar os erros em escalas e sem perceber, usamos isso para nos iludirmos que os nossos erros são menores ou que nós erramos menos vezes que alguém e portanto, se erramos menos e/ou tivemos erros menores, podemos sim, falar e apontar o erro do outro.
    Como exemplo, podemos pensar numa pessoa que critica um homem por agredir a esposa fisicamente, mas essa mesma pessoa que critica, fere a sua companheira com palavras que doem tanto quanto um soco.
    A reflexão aqui, não é sobre achar o mais ou o menos errado dentro de uma escala ou definir a gravidade e punição do exemplo acima, mas nos fazer refletir sobre todas as nossas atitudes para melhorarmos/evoluirmos e não escondê-las ou minimizá-las ao apontarmos o comportamento do outro.
    Quando a atitude do outro lhe incomodar, é sinal que ela inconscientemente lhe remete a algo que você fez/faz (ou até queria fazer) que lhe incomoda, ou seja, você encontrou uma ferida em você, então observe à si que você descobrirá que atitude você tem (ou teve) que o incomoda e então poderá trabalhar nela para resolver, seja mudando seu comportamento e/ou se perdoando pelo que tenha feito ou pelo que deixou de fazer .

  • Imaginar o que o outro está pensando ou irá pensar:

    Esse é bem comum e é quando por exemplo, você deixa de elogiar alguém por medo dela pensar que você está dando em cima dela ou quando você não quer sair, mas inventa uma desculpa para o seu amigo, pois imagina que ele ficaria chateado se você contasse que apenas não quer ir.
    É curioso como é mais fácil tirar sarro do outro do que elogiá-lo. As pessoas não refletem um minuto sequer sobre como outro vai se sentir se ela fizer uma piada sobre seu cabelo, mas para elogiar elas pensam em todas as consequências (que incluem ser alvo de julgamentos) e na maioria das vezes concluem que é melhor não elogiar.
    Então eu lhe pergunto, se algum desconhecido na rua passasse e lhe dissesse que achou seu cabelo lindo, você acharia que essa pessoa é louca? que está dando em cima de você ou você apenas ficaria feliz?
    Não deixe que na sua vida as criticas sejam mais fáceis de serem ditas do que um elogio sincero.

    Aqui também podemos encaixar as coisas que deixamos de fazer, por medo julgamento alheio, mas vou te contar que ao imaginar que o outro irá te julgar,  quem na verdade está julgando é você, afinal, você está tentando deduzir o que o outro irá pensar. E ainda sobre isso, uma das maiores lições que aprendi, é que quem mais nos julga somos nós mesmos, por isso, lhe convido a refletir: – quantas vezes no dia você minimiza/critica seus feitos, o quanto você dúvida que consegue fazer algo, quantas vezes se culpa pelas atitudes cometidas no passado? E ainda te convido a observar, que independente dos julgamentos alheios, o Sol nasce todos os dias e com isso, eu quero dizer, que as pessoas te julgando ou não, nada vai mudar na sua vida.

  • Ao minimizar o problema do outro:

    Quando alguém passa por uma situação parecida com a nossa, gostamos de compartilhar nossa experiência, mas em alguns casos criticamos a postura do outro perante aquela situação, pois afinal, aquilo foi tão fácil para você e se o mesmo aconteceu para o outro, porque ele está fazendo tanto drama sobre algo tão pequeno?
    Então eu lhe pergunto, se nem mesmo gêmeos idênticos e criados juntos, não tem a mesma personalidade e não tomam as mesmas decisões, porque esperamos tanto que pessoas  que pouco (ou nunca) convivemos tenham o mesmo comportamento que nós? Estranho, não?!
    O Ayrton Senna era muito habilitoso nas corridas com chuva, aliás, ele mesmo dizia que preferia correr nessas condições, no entanto, o fato dele ter facilidade não significa que era fácil para os outros pilotos.
    O fato é que cada pessoa carrega suas próprias ferramentas para lidar com as situações e talvez tenha sido mais fácil para você, pois você tinha as ferramentas mais adequadas, no entanto assim como você, o outro está tentando fazer o seu melhor, com as ferramentas que tem.
    Lembre-se também, que algo que foi dificil para você lidar pode ter sido fácil para o outro e nem por isso, diminuirá o grau de dificuldade que você passou.
    Por mais que você conte à alguém a história da sua vida, ela terá uma idéia do que aconteceu, mas jamais conseguirá sentir exatamente o que você sentiu, pois cada ser humano é único e cada situação impacta as pessoas de maneiras diferentes (talvez similares, mas nunca iguais).

Para evitar os julgamentos, observe seus pensamentos e substitua os de julgamento por outros, como pensamentos de gratidão. Com a prática, você notará que os julgamentos estarão cada vez menos presentes na sua mente e nas suas atitudes.
Tente se colocar no lugar do outro e lembre-se que todos estão o tempo todo fazendo o seu melhor e mesmo que você tenha uma idéia, você nunca saberá exatamente o que o outro está sentindo naquele momento.
Quando você enxergar as suas falhas, sem encaixá-las em escalas, você perceberá que se você erra tanto, porque o outro também não pode errar?

Espero que esse texto lhe ajude de alguma maneira e chegue como um convite para que você embarque numa viagem cada vez mais profunda dentro si.

Com carinho, Sil.

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