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Visitando o Brasil: O que eu mais estranhei?

 

Nós passamos os últimos 10 dias no Brasil e o tempo era realmente curto para ver/curtir toda a família e amigos, mas eu estava decidida a aproveitar cada segundo.
No Brasil me peguei observando a rotina das pessoas, suas conversas e as interações, então me vi agindo da mesma maneira em vários momentos, quando ainda morava em São Paulo e me dei conta como eu estava diferente desde que me mudei para o Canadá.

Eu não me encaixo mais na vida que eu levava antes e mesmo que voltasse para o Brasil, eu não seria a mesma de antes. Pois o lugar pode até contribuir com as nossas transformações, mas nada é mais forte do que a mudança que fazemos por dentro.

Por isso, a ideia desse post é compartilhar com vocês uma reflexão sobre alguns hábitos que eu observei no Brasil (que eu mesma tinha) e hoje eu não os teria novamente.

É maravilhoso ser uma pessoa muito ocupada (quanto mais melhor)

Pelo menos em São Paulo, eu notei que as pessoas tem uma certa satisfação em dizer o quanto são ocupadas e o que eu mais ouvia era: “Nossa, eu estou sem tempo para nada, estou trabalhando demais”, “Está tudo tão corrido”

E quanto mais eu ouvia isso, mais lembrava de mim. Dos dias em que eu chegava às 7hs no trabalho e ia embora as 19hs/20hs e falava com o maior prazer sobre o quanto eu tinha chegado cedo e ia sair tarde para resolver as mil tarefas do dia.
Talvez eu fizesse isso pois achava que era a melhor maneira de mostrar interesse/empenho ou porque já era um hábito ser uma pessoa muito, mas muitoooo ocupada.

Eu aprendi que trabalhar mais, não vai me fazer mais rica, mais respeitada, mais competente. E percebi que ninguém me obrigava a ter uma carga horária pesada, quem me pressionava era eu, sobre entregar cada vez mais coisas no menor tempo possível.

Depois que me mudei para o Canadá, vi o quanto o tempo é precioso, que a nossa prioridade deve ser os momentos em família, entre amigos ou com a gente.
O trabalho era a minha maior prioridade, era onde eu dedicava a maior parte do meu tempo e nos momentos livres eu só pensava em descansar para trabalhar no dia seguinte.

Dedicar-se ao trabalho significa fazer o seu melhor, ser produtivo, mas não doar todo o seu tempo e energia somente nisso. Afinal, a vida precisa de um equilíbrio.
Aqui no Canadá, as pessoas sentem uma imensa alegria em dizer que tem tempo e eu tenho encontrado uma verdadeira felicidade nisso.

Lazer só no final de semana (e olhe lá)

Com a rotina tão corrida, as pessoas só conseguem imaginar ter lazer no final de semana, o qual esperam ansiosamente e quando ele acaba sofrem automaticamente.
Também existe a crença que lazer precisa ser longe de casa (tem que sair de carro) e gastar dinheiro. Mas você já pensou que é possível ter lazer todos os dias após o trabalho? Ao caminhar pelo seu bairro com a família, dormir numa barraca na sala com seus filhos, fazer um pique nique numa praça perto de casa ou mesmo no seu quintal. No Canadá eu aprendi que lazer não é o lugar para onde você vai, mas sim o tempo que você dedica com você ou com quem ama.
Dessa forma eu descobri que posso ter lazer e me divertir de segunda a segunda e com isso, passei a colecionar muito mais momentos importantes.

A TV é a parte central da casa

Algumas vezes ela fica ligada até mesmo quando ninguém está assistindo. Mas acho que o pior é ver as pessoas sentadas lado a lado sem se falar ou se olhar, dedicando sua atenção somente para a TV, quando poderiam dedicar esse tempo precioso em conversas, sorrisos, abraços e lazer com quem amam.

Coisas grátis ou muito baratas não valem a pena

Pesquisando na internet algumas atividades para fazer com a minha sobrinha, me deparei com diversos sites e páginas no facebook sobre eventos/atividades gratuitas ou bem acessíveis para crianças, como peças de teatro, exposições e feiras, então fiquei pensando na quantidade de eventos que fui em Toronto só esse ano e em tantos que não fui em São Paulo a vida inteira, pelo simples fato de nunca ter pesquisado nada.
Talvez porque temos o preconceito de que todos os eventos gratuitos ou baratos não são bons. Quando na verdade em qualquer lugar do mundo, há eventos gratuitos ou pagos que podem ser bons ou ruins, o que vale é arriscar, curtir o momento e tentar se divertir.

Esse ano passou muito rápido

Nessa viagem eu tive uma experiência muito curiosa, pois ao decidir viver cada segundo dessa curta viagem, não fiquei pensando sobre o que faria no dia seguinte (aliás nem nas horas seguintes), tão pouco lamentando o que não tinha conseguido fazer no dia anterior ou sofrendo pela volta que se aproximava a cada dia, com isso, tive a impressão de que passei 30 dias no Brasil.

Então comecei a refletir sobre a frase que costumamos dizer: “Esse ano passou muito rápido” e pensei que isso acontece, pois a cada segunda-feira estamos contando para que chegue logo o final de semana para ter tempo livre ou ficamos em contagem regressiva para aquela viagem do feriado prolongado que será daqui 2 meses, ou quem sabe nas férias que agendamos há quase 1 ano e não vemos a hora de chegar. Em resumo, não vivemos o presente, não curtimos ou aproveitamos os dias igualmente.

Mas aposto que quando você era criança o tempo passava infinitamente mais devagar, talvez porque quando éramos crianças, não ficavamos ansiosos por férias que só iriam acontecer daqui a meses e aproveitavamos cada minuto, prolongando assim o nosso precioso tempo.
Por isso, apaixone-se pelas segundas, quartas, quintas…e faça com que cada dia seja especial, pois ele realmente é.

Espero que alguma dessas observações possa te ajudar a refletir como valorizar cada vez mais o tempo e aproveitar cada vez mais a vida em qualquer lugar do mundo.

Com carinho,

Sil.

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mundodasil

4 Comments

  1. Amei o post Sil.
    Realmente são muitos assuntos para refletirmos, que as vezes só quem tem uma experiência de uma cultura diferente pode observar melhor.

    Bjs.

    1. Sim Sú,
      E a intenção era essa mesma, trazer um olhar diferente sobre a rotina em São Paulo, que eu mesma dixava no automático.
      Espero que o post tenha te ajudado a refletir como aproveitar cada vez maiso seu tempo.
      Beijos

  2. Concordo com tudo o que vc escreveu. Eu acredito que as pessoas tenham orgulho de serem ocupadas e ter o dia cheio de coisas a fazer, quase sem tempo para pausas. Maaaas, na minha visão de Brasil, que se resume apenas a São Paulo, é que o mercado competitivo deixa as pessoas assim. Todos se dedicam ao maximo aos seus afazeres no trabalho com medo de que venha outro e tome seu lugar. E em meio a essa crise, ninguém quer colocar seu emprego em risco e acaba trabalhando mais horas do que deveria. É triste? É! Ver nossa família e amigos se desgastando e ficando doente por causa da rotina estressante… Isso é algo cultural no Brasil. Talvez as próximas gerações mudem isso.
    Mudando de tópico, que bom que parei para ler seu texto! Vc está escrevendo cada vez melhor!
    Além disso, vc me fez parar de sofrer pelo tempo curto que ficarei no Brasil. Decidi ir sem planos tb, vou fazer igual a vc e não pensar muito no que fazer no dia seguinte.
    Arrasou SIL!

    1. Verdade Dani, a crise infelizmente acaba trazendo um medo natural nas pessoas, afinal, precisamos ter uma fonte de renda. Por isso, acho que cada caso precisa ser avaliado isoladamente e pensar o que pode ser melhorado, seja no tempo no trabalho, no tempo que investimos em tarefas de casa, no tempo livre que dedicamos na TV, etc.
      E eu fico MUITO feliz que esse post tenha ajudado você a estar presente na sua viagem e curtir cada segundo ao lado de quem ama. Tenho certeza que vivendo o presente, você irá prolongar a viagem.
      Beijos amiga <3

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